Serra do Açor | De Piódão à Fraga da Pena

Há muito tempo que desejávamos dar um pulo à Serra do Açor para conhecermos as suas belas Aldeias de Xisto, esse dia finalmente chegou. Conhecida pela sua bela vegetação, muitas cascatas e algumas praias fluviais, esta região é o paraíso para os amantes do turismo ambiental. Com muita pena nossa, no verão transato praticamente a totalidade da Serra foi afetada pela devastadora onda de incêndios que deflagrou um pouco por todo o país deixando as suas longas florestas dizimadas. Os tristes acontecimentos não abalaram a nossa curiosidade por uma das zonas onde a cultura endógena permanece quase intacta. Piódão era a aldeia que à partida mais expetativas nos criava, bem como as belíssimas cascatas da Fraga da Pena – vamos descobri-las!

  • A viagem

Pelas 8 horas da manhã partimos de Alpiarça em direção à A13, sabendo à partida o valor exorbitante das scuts, mas na verdade esta autoestrada é a forma mais cómoda e rápida de nos dirigirmos às proximidades da Serra do Açor. Antes da chegada aos destinos que daríamos maior destaque nesta nossa curta viagem, desviámos ligeiramente a rota para conhecer a aldeia Casal de S. Simão. Já passavam das 9 horas, mas a aldeia permanecia deserta, aproveitámos a pacatez para apreciar as renovadas casas de xisto. De tão deserta e tranquila e com uma boa dose de neblina matinal, o ambiente era quase digno de uma obra hitchcookiana.

Serra do Açor: casal de s. simao

Casal de S. Simão

Ansiosos por chegar rapidamente à Aldeia de Piódão, colocámo-nos outra vez em marcha pelas longas e sinuosas estradas que circundam a Serra do Açor. A meteorologia não era a ideal, a manhã encontrava-se cinzenta e fria, mas ainda assim decidimos realizar uma paragem na aldeia de Fajão. Entre subidas e descidas por estradas com uma magnífica vista sobre a Serra, lá alcançámos a tão desejada “aldeia presépio”.

  • Piódão

No alto das montanhas somos presenteados com uma vista digna de um postal. Num local inóspito nasceu Piódão, uma aldeia elegantemente construída sobre socalcos que nos deixa boquiabertos com toda a sua beleza. Após estacionarmos o carro na praça principal da vila, deparamo-nos de frente com a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a construção que pelos seus tons branco e azul se destaca das restantes construções em tons de xisto. Encantados com o contacto inicial e com a áurea tranquila que se respira, estávamos ansiosos por nos perder nas suas ruas labirínticas. As suas casas simpáticas, simplicidade e hospitalidade das suas gentes, faz sentir em casa todos os visitantes. Piódão perdurará na nossa memória pelo seu encanto e a sua perfeita simbiose entre o natural e as belas construções de xisto.

Serra do Açor: vista sobre piodao

Piódão

Serra do Açor: igreja piodao

Igreja de Nossa Senhora da Conceição

Serra do Açor: bancos piodao

Piódão

Serra do Açor: piodao casas de xisto

Piódão

Serra do Açor: piodao

Piódão

  • Foz d’Égua

No início da tarde, depois do aconchegante almoço na Casa dos Pachecos, deslocámo-nos até Foz d’Égua, uma pequena maravilha a meros quilómetros de Piódão. A confluência das ribeiras de Chãs d’Égua e de Piódão originou duas encantadoras pontes de pedra que proporcionam uma imagem difícil de tirar da nossa retina. A verdejante encosta com as suas tradicionais casas de xisto sobre socalcos e no cume um pequeno santuário com uma vista perfeita sobre a serra, complementa toda a espetacularidade do local. De destacar a ponte que faz lembrar o carismático Indiana Jones, uma ponte suspensa entre duas montanhas que para tristeza nossa estava interdita para manutenção. Se tiverem pela zona não hesitem em visitar este pequeno pedaço de tranquilidade.

Serra do Açor: ponte foz d'egua

Pontes Foz D’Égua

Serra do Açor: ribeira foz d'egua

Foz D’Égua

Serra do Açor: santuario foz de egua

Santuário Foz D’Égua

Serra do Açor: cimo foz d'égua

Topo da Montanha em Foz D’Égua

  • Aldeia das Dez – Estadia

No final da tarde, depois da habitual viagem conturbada pelas imensas curvas da Serra do Açor, chegámos à aldeia onde decidimos pernoitar. Uma das muitas aldeias de xisto da região pertencente à Rota do Xisto, a Aldeia das Dez é uma localidade acolhedora, onde o xisto e os casarios brancos saltam à vista. Ficámos hospedados na Casa do Secolinho, um alojamento local acolhedor onde fomos muito bem-recebidos pelo proprietário. De destacar a sua hospitalidade e prontidão aquando da nossa súbita mudança de planos que incluía tomar o pequeno almoço no alojamento. De pronto se demonstrou recetivo e presenteou-nos com um pequeno almoço completo com produtos de qualidade e muito variado. Houve tempo ainda para nos fornecer algumas dicas de trajetos e de locais a visitar que se vieram a tornar bastante úteis. Caso pretendam visitar a região aconselhamos vivamente a pernoitar na Casa do Secolinho, não se vão arrepender.

  • Poço da Broca

Já a manhã ia longa quando iniciámos o nosso percurso de domingo em que, por conselho do Sr. Manuel, iríamos em direção ao Poço da Broca. Pelas sempre bonitas estradas da região encontrámos um bonito local chamado Açude do Parede, onde aproveitámos para tirar algumas fotografias. A insistência do proprietário em que conhecêssemos Poço da Broca não era à toa. O local é de uma beleza natural indescritível, com cascatas sublimes contextualizadas num ambiente tranquilo e verdejante que criam em nós uma vontade de permanecer por ali para sempre.

Serra do Açor: açude do parente

Açude do Parente

Serra do Açor: rio poço da broca

Poço da Broca

Serra do Açor: poço da broca

Poço da Broca

Serra do Açor: cascata poço da broca

Cascata Poço da Broca

  • Fraga da Pena

A tarde seria destinada a um dos locais mais emblemáticos da região, Fraga da Pena pela sua beleza merece todo o destaque. Inserida na Mata da Margaraça a poucos quilómetros de Pardieiros, a Fraga da Pena vale de facto a “pena” uma visita. O som ensurdecedor da enorme cascata e toda a sua envolvência natural faz-nos acreditar que a mãe natureza tem muito bom gosto. De pedra em pedra como duas crianças felizes, fomos descobrindo o local que para ser perfeito apenas faltou a ajuda de S. Pedro para nos banharmos nas suas águas.

Serra do Açor: seta fraga da pena

Fraga da Pena

Serra do Açor: apreciar cascata fraga da pena

Cascata Fraga da Pena

Serra do Açor: cascata fraga da pena

Cascata Fraga da Pena

Adorámos a visita à Serra do Açor, que para ser completo necessitávamos de uma melhor meteorologia, mas fica prometido um retorno em época de Verão para nos banharmos em algumas das muitas praias fluviais e cascatas que visitámos ao longo destes dois dias. Os incêndios do Verão de 2017 que assolaram a região dão uma tonalidade negra à longa floresta que anseia por novos tempos áureos. Em plena primavera já se notam tímidos sinais de reflorestação e esperemos que para breve a Natureza trate de repor o que a calamidade estival originou. As simpáticas pessoas que contactamos, a tranquilidade rural e a boa gastronomia fazem desta região um excelentíssimo local para recarregar baterias da agitação do dia-a-dia. Contamos voltar o quanto antes!

Serra do Açor: fraga da pena

Fraga da Pena

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