Pelos caminhos da Serra da Lousã

Visitar a Serra da Lousã era um dos objetivos do ano! Em maio percorremos a Serra do Açor e ficámos deslumbrados com as suas aldeias de xisto e com as suas histórias e tradições. Desde então ficou uma curiosidade enorme por descobrir a serra vizinha, a Serra da Lousã.

A região não é enorme, mas os locais de interesse são tantos que decidimos dedicar três dias para a explorar, aproveitando o fim-de-semana prolongado iniciado no feriado de 5 de outubro. Uma decisão sábia que nos permitiu conhecer consideravelmente esta fantástica região.

A Lousã, cidade que dá nome à serra, está localizada a meros 28km de Coimbra e encontra-se rodeada por imponentes montanhas onde pontilham algumas das mais charmosas aldeias de xisto. A Serra da Lousã, juntamente com a Serra do Açor e Serra da Estrela formam a Cordilheira Central, principal alinhamento montanhoso de Portugal.

Cada vez mais apaixonados pelo turismo de natureza fomos em busca de uma região que esconde alguns dos mais belos tesouros do nosso país. As paisagens verdejantes a perder de vista, o som da água das cascatas e o pleno contacto com a natureza eram os motivos desejados para um fim-de-semana relaxante.

Serra da Lousã: banco Gondramaz

Gondramaz

Serra da Lousã: O que visitar?

Os motivos para explorar a Serra da Lousã são mais que muitos! Se ainda não os conhecem ou não ficaram plenamente convencidos da beleza incontornável da região, vamos apresentar-vos algumas dicas dos locais a visitar que certamente não vão ficar indiferentes.

  • Aldeias de Xisto

Ficámos aficionados pelo projeto Aldeias de Xisto, os seus casarios e as estreitas ruelas recheadas de simbolismo é um retrato viável da história do interior do nosso país. Atualmente com poucos habitantes, algumas delas já inabitadas, as aldeias são procuradas por turistas que tal como nós procuram um refúgio do dia-a-dia agitado.

Ao longo do nosso país estão referenciadas 27 aldeias de xisto, 12 delas estão localizadas na Serra da Lousã: Aigra Nova, Aigra Velha, Candal, Casal Novo, Casal de São Simão, Cerdeira, Chiqueiro, Comareira, Ferraria de São João, Gondramaz, Pena e Talasnal.

Das 12 aldeias de xisto existentes na região ainda não tivemos oportunidade de conhecer a Ferraria de São João. A aldeia de Casal de São Simão visitámos no percurso de ida para a Serra do Açor e contamos tudo sobre ela neste artigo.

Serra da Lousã: Casal de S. Simão

Casal de S. Simão

As restantes 10 aldeias conseguimos incluir no roteiro de três dias pela região e ficámos deslumbrados com as características de cada uma.

Iniciámos o nosso roteiro pelas aldeias de xisto em Gondramaz, localizada no concelho de Miranda do Corvo. Embora pouco movimentada foi uma das mais bonitas que visitámos! Pela tranquilidade e pela simbiose perfeita com a natureza ficámos encantados com a forma que iniciámos estas miniférias. No primeiro dia de viagem conseguimos ainda visitar a aldeia do Chiqueiro, que foi uma das que menos apreciámos, pelo facto de estar completamente vazia e com algumas casas em ruína.

Serra da Lousã: beco do tintol

“Beco do Tintol” em Gondramaz

Serra da Lousã: moldura isto é lousã

Moldura “Isto é Lousã”

Estrado de madeira “Lousã” colocado na Serra com vista para a vila

Estrado de madeira “Lousã” colocado na Serra com vista para a vila

No segundo dia visitámos Talasnal, que é sem dúvida a aldeia mais completa e mais impactante de toda a região. À partida era a que aguardávamos com maior ansiedade e não desiludiu. O Talasnal é muito mais movimentado do que as restantes aldeias, pelo que se nota na oferta turística de alojamento, cafés e restauração dando um ânimo diferente à pacata aldeia. Não muito distante encontra-se Casal Novo, que desafiou a nossa resistência, obrigando-nos a subir e descer inúmeras escadas. Uma aldeia carismática, com uma vista arrebatadora para serra e com as suas casas muito bem recuperadas.

Serra da Lousã: talasnal montanhas de amor

“Talasnal, Montanhas de Amor”

Serra da Lousã: talasnal

Aldeia de Talasnal

Serra da Lousã: casal novo

Aldeia Casal Novo

O terceiro dia foi dedicado integralmente à descoberta das restantes aldeias de xisto. Iniciámos o nosso dia pela Cerdeira, que foi recuperada no âmbito de um projeto artístico e criativo. Muito certinha e escrupulosamente recuperada, esta aldeia foi das mais bonitas que visitámos, embora não encontrássemos os modos genuínos e serranos a que as outras nos habituaram. Durante a manhã visitámos o Candal, uma íngrime e preservada aldeia onde residem várias pessoas. De realçar o fantástico miradouro existente no topo da aldeia que nos permite comtemplar toda a tranquilidade envolvente.

Serra da Lousã: vista cerdeira

Aldeia Cerdeira vista da estrada

Serra da Lousã: cerdeira

Casa Azul, Cerdeira

Serra da Lousã: candal

Aldeia Candal

Indecisos com os planos para a tarde de domingo, decidimos explorar as aldeias de xisto do concelho de Góis. Iniciámos pela pequena aldeia da Comareira, que fora o som das galinhas não avistámos qualquer sinal de vida. Encantados com a quietude da serra permanecemos mais um pouco para realizar uma pequena refeição enquanto nos encantávamos com a excelência da paisagem. De seguida dirigimo-nos às aldeias de Aigra Nova e Aigra Velha onde ainda encontrámos vários residentes a realizar as suas tarefas diárias. Por último visitámos a aldeia da Pena, que para a visitar foi necessário descer uma íngreme estrada em mau estado de conservação. Risco à parte, a aldeia encontra-se num vale rodeada de uma refrescante vegetação que lhe oferece um ar místico e natural.

Serra da Lousã: comareira

Aldeia Comareira, “A mais pequena, tão genuína”

Serra da Lousã: banco comareira

Banco à entrada da Aldeia Comareira

Serra da Lousã: banco aigra nova

Banco à entrada da Aldeia Aigra Nova

Serra da Lousã: pena

Aldeia Pena

Serra da Lousã: aldeia pena

Aldeia Pena

  • Castelo da Lousã

Percorrendo a serra, por caminhos sinuosos e estreitos, somos presenteados com um castelo que se impõe em redor de uma densa vegetação.  O acesso faz-se pela estrada M580 e já perto de alcançar o castelo, após uma curva apertada, surge vista arrebatadora. Não resistimos e colocámos imediatamente o pé no travão para contemplar aquele fantástico lugar.

Após ficarmos pasmados com o enquadramento perfeito entre a natureza e o castelo, a desilusão chegou quando finalmente o alcançámos. Devido a obras de manutenção é proibido o acesso ao seu interior, pelo que a sua visita não fora tão surpreendente quanto o desejado.

Serra da Lousã: castelo da lousa

Igreja e Castelo da Lousã 

  • Praia Fluvial da Senhora da Piedade

A poucos metros do Castelo da Lousã, após uma descida acentuada, está localizada a Praia Fluvial da Senhora da Piedade. Uma praia fluvial com uma envolvência inesquecível ente a excelência da beleza natural e os belos arranjos em xisto. Dotada de belas infraestruturas de apoio, esta praia é o local ideal para um dia em cheio com família e amigos.

Através do projeto Isto é Lousã, implementaram um baloiço suspenso numa árvore onde o pano de fundo é uma bela cascata da ribeira de São João. Um dos pontos altos da região, este baloiço é um chamariz para quem procura a foto perfeita.  Embora as águas sejam extremamente refrescantes não deixámos passar a oportunidade e subimos até ao baloiço. É realmente um cenário de conto de fadas!

Serra da Lousã: baloiço praia fluvial senhora da piedade

Baloiço da Praia Fluvial da Senhora da Piedade

  • Baloiço de Trevim

O projeto Isto é Lousã instalou ao longo da serra diversas peças artísticas em madeira que oferece há região um toque especial e criativo. O mais conhecido de todas as criações é o Baloiço de Trevim localizado no Alto de Trevim a 1200m de altitude. Com uma vista sublime sobre o vale, podemos baloiçar sobre o vazio e sentir a brisa fresca da serra.

O Baloiço de Trevim tem feito furor nas redes sociais e é atualmente procurado por todos os turistas que visitam a região. Para conseguir uma volta no baloiço é necessário aguardar uns minutos na fila, tal é a procura. A espera compensa, e andar de baloiço neste magnifico local faz-nos recordar os tempos de infância, onde por minutos sentimo-nos livres e alegres como duas crianças felizes.

Serra da Lousã: baloiço de trevim

Baloiço de Trevim

Serra da Lousã: peça artistica no alto de trevim

Uma das peças artísticas no Alto do Trevim

  • Garganta Cabril do Ceira

A Garganta Cabril do Ceira, localizada perto de Serpins, é um tesouro escondido de difícil acesso que, devido à sua fraca divulgação é um local muito pouco frequentado. Sem esplanadas, nadadores salvadores nem qualquer espécie de artificialismo, este local encontra-se no estado mais puro repleto de árvores e de cristalinas águas correntes. Ficou conhecido como Garganta do Cabril do Ceira devido ao efeito do estreitamento que o canhão rochoso provoca no rio, criando um pequeno lago natural.

Serra da Lousã: garganta do cabril do ceira

Garganta do Cabril do Ceira

Serra da Lousã: cabril do ceira

Garganta do Cabril do Ceira

  • Cascata Pedra da Ferida

A nossa primeira paragem foi no concelho de Penela para visitar a Cascata da Pedra da Ferida. Após alguma dificuldade em encontrar o caminho certo, lá encontrámos uma longa e íngrime estrada de brita que permite aceder de carro até ao parque de merendas. A partir daí começa toda uma aventura pelos trilhos húmidos e escorregadios em busca da tal afamada cascata. Um percurso pedestre refrescante com muitas peripécias pelo caminho em que o único som audível é o som da natureza. O ponto final do percurso é uma belíssima cascata de 25 metros de altura com a sua água límpida e muito fria que não convidou a mergulhos, numa manhã fria de outubro. É o passeio indicado para quem, tal como nós, adora a natureza no seu estado mais puro!

Serra da Lousã: cascata da pedra da ferida

Cascata da Pedra da Ferida

  • Praia Fluvial da Bogueira

A Praia Fluvial da Bogueira está localizada em Casal do Ermio e fica a poucos metros do local onde ficámos hospedados. Uma praia galardoada com a Bandeira Azul e atribuída a Medalha Qualidade de Ouro. Contudo, encontrámos as suas águas em tonalidades enegrecidas, devido às cinzas dos incêndios. Não fomos a banhos, mas ficámos deslumbrados com a envolvência do local, onde aproveitámos para descansar e admirar toda a paisagem no bar/esplanada da praia.

Serra da Lousã: praia fluvial da bogueira

Praia Fluvial da Bogueira

Serra da Lousã: Onde comer?

Na Serra da Lousã certamente não irá passar fome! A gastronomia é um dos pontos altos da região, de tal forma que todo o nosso roteiro foi desenhado em função da disponibilidade dos principais restaurantes. Através do conselho do João e da Marina, do blog Let’s Run Away,  marcámos os restaurantes pretendidos com alguma antecedência e foi a nossa salvação. Sem marcação prévia é quase impossível ter lugar nos restaurantes mais carismáticos.

  • O Burgo

O Burgo está localizado na Praia Fluvial Senhora da Piedade e dispõe de uma vista fantástica sobre a praia. Com uma cozinha familiar e genuinamente beirã fomos presenteados à partida com os enchidos da serra (farinheira, morcela e chouriço), cogumelos, queijo de cabra, pataniscas de bacalhau e favas com chouriço. No seu cardápio existe um lote de propostas que torna difícil ao cliente optar: cozido do Talasnal, cabrito assado no forno, coelho com molho à bruxa, veado com tortulhos, o javali com castanhas e dispõe de uma opção Rapsódia onde é possível provar um pouco de todas estas iguarias regionais.

Preço médio para duas pessoas: 40 euros

Contactos: 239 991 162

Serra da Lousã: o burgo

Restaurante “O Burgo”

Serra da Lousã: entradas o burgo

Entradas

Serra da Lousã: javali com castanhas

Bife com cogumelos e javali com castanhas

  • Restaurante Ti Lena

O restaurante Ti Lena está localizado na aldeia do Talasnal e presenteia-nos com uma decoração típica, em formato de taberna numa excelente casa de xisto elegantemente recuperada. A marcação foi realizada por telefone e foi preciso uma ginástica para conciliarmos a disponibilidade do restaurante com o nosso roteiro pré-estipulado. Logo nesse momento ficam definidos os pratos que serão servidos num leque de três opções: cabrito com batatas e castanhas assadas no forno, chanfana ou bacalhau à lagareiro. As sobremesas são outro fator destaque com uma mousse de lima, sopa de morangos com suspiros e baba de camelo, simplesmente deliciosas. Na hora de pagar a conta fomos supreendidos com a inexistência de multibanco mas de pronto nos concederam a hipótese de pagar via transferencia bancária.

Preço médio para duas pessoas: 40 euros

Contactos: 911 932 948

Serra da Lousã: ti lena

Entrada do Restaurante “Ti Lena”

Serra da Lousã: cabrito assado e bacalhau

Cabrito assado no forno e Bacalhau

Serra da Lousã: baba de camelo e sopa de morango com suspiros

Baba de camelo e Sopa de morangos com suspiros, que recomendamos completamente!

Se preferes optar por um menu vegan espreita as dicas de restaurantes dos VegOn World!

Serra da Lousã: Onde dormir?

À partida quando começámos a delinear esta visita tínhamos planeado ficar alojados na aldeia do Talasnal no “Talasnal, montanhas de amor”, por ser a aldeia de xisto mais mediática e pela proximidade com os restantes locais a visitar. No momento da reserva já se encontrava completamente lotado pelo que optámos por uma opção mais afastadas, mas que se veio a revelar uma excelente escolha.

Ficamos hospedados na Casa da Eira em Casal do Ermio junto à Praia Fluvial da Bogueira. Uma casa secular magistralmente recuperada recheada de uma decoração rústica alegórica ao universo rural de outros tempos. Com muita simplicidade e simpatia dos anfitriões, fomos recebidos com tamanha hospitalidade que nos fizeram sentir realmente em casa.

Serra da Lousã: casa da eira

Entrada do Hotel “Casa da Eira”

Outra opção a considerar para quem prefira ficar alojado no centro da Lousã, é o famoso hotel Palácio da Lousã Boutique Hotel, um hotel de 4 estrelas distinguido como Património Mundial.

Esperemos que as nossas dicas sejam úteis! Acrescentariam mais algum local? Deixem a vossa opinião nos comentários 😊

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