Millennials são ambiciosos, muito ambiciosos, para o bem e para o mal. A geração mais qualificada de sempre, dona de múltiplas skills deve ambicionar, mas não deve deixar que a ambição deturpe a realidade. Flores de estufa, conectados 24 horas à internet dispensam o sol em detrimento da luminosidade dos ecrãs. Somos conhecidos como mimados ou superprotegidos pelos pais até idade tardia com uma educação unicamente virada para o sucesso. Quando obrigatoriamente necessitamos de “sair do ninho” o mundo apresenta-nos mais dificuldades do que as esperadas e digerir o insucesso, devido à nossa educação, torna-se um tremendo desafio. Entre a lenta digestão de insucessos e a adaptação a uma realidade passaram-se longos anos da nossa vida.

Ligados intimamente às redes desde nascença, como se de um cordão umbilical se tratasse, torna-nos, desde tenra idade, dependentes das virtualidades. Sonhamos com sucesso fácil, ser um blogger de sucesso, contra mim falo, ser um youtuber de renome para rapidamente nos tornarmos num influencer digital. Secundarizou-se a arte e o engenho e deu-se primazia aos challengers de comer canela e pastilhas para máquina de lavar, onde ter views e followers a todo o custo é mais importante que o conteúdo de qualidade. Para o bem e para o mal os millennials são cada vez mais precoces e tornam-se facilmente “novos ricos” através das suas apetências empreendedoras assentes em ferramentas digitais. Comparativamente ao passado tornou-se muito mais fácil enriquecer em jovem, alterando o paradigma das ambições que já se encontram muito para além da constituição de família e a mera aquisição de bens, sendo agora a popularidade e reconhecimento a ambição-rainha da nova geração.

Quando o sucesso fácil tarda em chegar, ou porque não fizemos o tal vídeo viral ou porque apenas não nos identificamos com estas práticas, a preocupação aumenta e nem sempre lidamos com isso da melhor forma. Aprender a lidar com o insucesso é um dos desafios desta nova geração. Uma educação que nos protege dos males exteriores orientada ao sucesso em conjunto com a quantidade de conhecimento e informação que possuímos, faz com que as nossas expetativas sejam mais altas do que nunca. Quando o sucesso idealizado não ocorre é necessário a verdadeira adequação à realidade, e essa adequação poderá demorar mais tempo do que o desejado.

Padronizados em estudar até aos 18 anos, para concluir o ensino secundário, seguindo-se mais três ou cinco anos de licenciatura e mestrado, se não houver uma cadeira perdida pelo percurso aos 23 anos estamos prontos para encontrar o primeiro emprego. Depois do desafio educacional quase cliché é hora de enfrentar o difícil mercado de trabalho, recheado de pessoas competentes e com experiência profissional tornando a tarefa de encontrar emprego num autêntico evento épico. Entre meses, ou quem sabe talvez anos, encontramos um trabalho que nos preenche e dedicamo-nos a tempo inteiro à construção de uma carreira. Queremos aquele carro, aquela viagem de sonho e aos 30 anos encontrar a mulher ou o homem da nossa vida que suporte todo o stress, angústia e ouça todo o nosso egoísmo proveniente das dez irritantes horas divididas entre emprego e transportes. Lá para os trinta ou quarenta estamos em condições psicológicas e sociais de iniciar uma nova etapa da nossa vida, quem sabe desta vez, talvez a dois.

Viver a juventude até ao limite e dedicar grande parte do tempo à carreira profissional são imagens de marca da nova geração. Querer ter um poder de compra considerável, possuir um reconhecimento profissional e pessoal aceitável são imagens de marca da Geração Y, os denominados millennials. Na maioria dos casos só se aceita iniciar uma vida em casal quando se veem cumpridas muitas das nossas ambições, mesmo que elas demorem alguns anos a conquistar. Nós enquanto millennials sofremos do mesmo mal, também queremos casar, ter filhos e construir família, mas se calhar aos 40.

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