Ataques na Síria – O perigo real da III Guerra Mundial

Os tambores de alerta soaram novamente, este sábado dia 14 de abril, quando a aliança EUA, Reino Unido e França coordenou um ataque aéreo à cidade de Damasco na Síria. Um país danificado depois de anos de Guerra Civil, dividido religiosamente entre muçulmanos sunitas (rebeldes) e xiitas (apoiados pelo presidente sírio Bashar al-Assad). Desde cedo que os estados como a Rússia e o Irão decidiram apoiar a causa de Assad e por outro lado os EUA, França, Reino Unido, Turquia e outros países ocidentais colocaram-se do lado dos rebeldes moderados. Poderá ser novamente um alerta sem fundamento, mas desta vez posições foram tomadas e após este ataque, russos, iranianos e chineses prometeram que iriam apresentar uma resposta. Poderá ser essa resposta a causa da III Guerra Mundial?

Insatisfeitos com o regime ditatorial que Bashar al-Assad tinha vindo a impor desde 2000, em 2011 parte da população síria saiu à rua reivindicando os seus direitos e pedindo melhores condições de vida. Como bom ditador, Assad decidiu empregar a sua força militar contra os rebeldes. Como violência gera violência, os rebeldes criaram o denominado Exército Síria Livre e desde 2012 que se encontram em Guerra Civil contra o regime, originando até ao momento mais de 465 mil mortos e uma gigantesca crise de refugiados.

Neste mundo hostil, nasceram e fortificaram-se vários grupos terroristas, entre eles, o ISIS. Atualmente as forças de Assad dominam as principais cidades, embora ainda existam regiões dominadas pelos exércitos rebeldes. Na semana transata, surgiu a acusação de que o Governo Sírio tinha usado armas químicas no ataque organizado, na região de Douma. Perante esta acusação, que não foi comprovada até ao momento, EUA, França e Reino Unido decidiram retaliar através de um ataque aéreo contra um laboratório, um depósito e um outro armazém usado para guardar armas químicas.

Ataque na Síria

Os problemas do Médio Oriente, em particular da Síria, têm causado instabilidade mundial tendo originado uma crise de refugiados, como não havia memória desde a II Guerra Mundial, e ainda criado grupos radicais como o Estado Islâmico que já originaram vários atentados terroristas nos países ocidentais. Urge uma resposta eficaz a todos estes problemas, mas repetindo-me, investidas como as da noite de sábado é uma forma de violência para responder a violência criando a possibilidade de aumentar a magnitude de todo o problema. Depois de duas grandes guerras, da instabilidade vivida durante anos em plena Guerra Fria e da recente guerra do Iraque parece que o Homem não retirou as ilações suficientes das suas ações.

Parece inevitável que mais tarde ou mais cedo, os conflitos possam tornar-se um problema substancialmente maior. Se outrora a precipitada Guerra no Iraque não originou uma Guerra Mundial, desta vez ao contrário de Sadam Hussain, Bashar al-Assad conta com parcerias potencialmente mais perigosas e capazes de criar um conflito internacional. Este ataque de sábado, sem aval do Departamento de Segurança da ONU que ainda não tinha confirmado a verossimilhança das informações do uso de armas químicas por parte do exército de Assad, parece-me claramente precipitado e com o único intuito de demonstrar a posição e a força das três potências mundiais. Trump, Macron e Theresa May deveriam saber que as suas atitudes devem se pautar com extrema cautela e responsabilidade, sem ultrapassar todas e quaisquer legislações internacionais apenas com a justificação de demonstrar as suas potencialidades numa mera e arriscada jogada política.

As maiores potências mundiais, munidas de armas nucleares e químicas lideradas por Vladimir Putin, Bashar al-Assad, Kim Jung Woon, Theresa May e Donald Trump fazem-me acreditar que o mundo é um lugar perigoso. Na minha ingenuidade acreditava que uma Grande Guerra não se voltaria a repetir, acreditando que todos estávamos sabedores da dimensão que uma nova guerra viria a causar, hoje não mantenho a mesma opinião. O Homem ambicioso por natureza, com sede de poder e com a necessidade de marcar território, como o meu amistoso animal de estimação, faz-me acreditar que a probabilidade de vir a existir uma III Guerra Mundial são mais que muitas. Resta-nos acreditar que um território tão devastado como a Síria, e num momento em que a questão petrolífera tem cada vez menos peso, não seja suficientemente motivador para que os EUA e a Europa comprem uma guerra mundial por motivos tão exíguos. A falta de uma inteligente moderação, está a colocar o mundo tal como conhecemos em risco, uma III Guerra Mundial a acontecer poderia muito bem significar o fim do mundo.

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